TRAJETÓRIA
Minha trajetória começa pela escrita, quando ainda não havia projeto, método ou destinatário. Escrever era uma forma de permanecer, de organizar o sensível, de não deixar que o vivido se perdesse. Textos, poemas e fragmentos surgiram como abrigo e insistência, encontrando no espaço digital não uma vitrine, mas um território de passagem.
Com o tempo, a palavra começou a pedir encontro. A escrita abriu-se ao outro, tornou-se conversa, escuta, fricção. Vieram as experiências coletivas, os deslocamentos pela cidade, as narrativas atravessadas pelo cotidiano e pelas urgências do presente. A linguagem link_2 já não cabia apenas no texto: passou a pedir som, imagem, ritmo, edição. Música, design, vídeo e montagem tornaram-se formas de continuar narrando por outros meios.
Criar passou também a ser trabalhar em projetos link_2 pessoais, coletivos e profissionais. Transformar repertório sensível e escuta em soluções concretas exigiu aprender a negociar tempos, demandas e expectativas. O design consolidou-se como linguagem e como prática situada, não como ruptura com a sensibilidade, mas como mediação possível entre criação, responsabilidade e mundo. Práticas educativas link_2, experiências coletivas e atuações institucionais aprofundaram essa compreensão, sobretudo quando o digital precisou sustentar vínculos, onde o cuidado precisou ser reinventado e a insistência em ocupar o espaço digital como lugar de experiência, e não apenas de exposição.
A universidade atravessou esse percurso oferecendo ferramentas para nomear, tensionar e elaborar práticas já em curso, especialmente no campo da Educomunicação, por meio da graduação concluída em 2024, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). O encontro com museus, acervos e cultura material ampliou as investigações sobre memória, visibilidade e mediação, em especial a partir da experiência como educador e pesquisador no Museu do Ipiranga. Essas vivências conduziram à pesquisa link_2 como gesto de retorno reflexivo, agora explicitamente situada no contexto latino-americano.
Atualmente, atuo como pesquisador na interface entre Educomunicação, cultura digital e tecnologias abertas, sendo mestrando no Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (PROLAM‑USP). Minha investigação se dedica a descrever estratégias de difusão digital de acervos culturais no Brasil e no México, analisando como padrões abertos, tecnologias de código livre e infraestruturas digitais podem ampliar o acesso ao conhecimento e fortalecer a preservação e circulação de acervos culturais e museológicos na América Latina.
O que se reúne aqui não é uma história fechada, mas um acervo link_2 em movimento. Um conjunto de tentativas de mediar o mundo por meio da escrita, da imagem, do som, da educação e da pesquisa. Mais do que apresentar resultados, este espaço convida à travessia — a percorrer, escolher, revisitar e manter abertas as perguntas que continuam a mover o percurso.
